Justiça retira propaganda eleitoral em universidades

autor Misto Brasília

Postado em 26/10/2018 09:16:11 - 08:42:00


Movimentos de esquerda fazem manifestação político-partidário na UnB/Reprodução vídeo

Material foi retirado por ordem judicial com a participação de funcionários da justiça eleitoral

Campus universitários e sindicatos de professores de todo o país foram alvo de ações polêmicas conduzidas pelos Tribunais Regionais Eleitorais e policiais nesta quinta-feira (25). Com o objetivo de identificar e recolher supostos materiais e atividades de campanha irregular, relatos dão conta que agentes entraram sem mandado formal nas faculdades, retiraram faixas sem relação com a eleição e interromperam debates.

A DW Brasil apurou que ao menos 27 instituições do Ensino Superior tiveram a presença de agentes dos TREs e da PF nesta quinta. Embora ainda não haja um posicionamento unificado da Justiça Eleitoral, o teor semelhante de mandados de busca e apreensão emitidos pelos TRE da Paraíba e de Mato Grosso indicam que a ação foi coordenada e tinham como alvo panfletos intitulados "Manifesto em defesa da democracia e da universidade pública", entendidos como materiais de campanha de Fernando Haddad (PT).

Na Universidade de Brasília há um clima partidário de alta temperatura, com pichações do patrimônio público e ameaças entre grupos divergentes. Há ameaças como já publicou o Misto Brasília. Numa postagem feita há dois dias nas redes sociais, um homem ameaça que "a paciência do pagador de impostos, que sustenta toda esta palhaçada, já esta por um fio".

Veja um vídeo com manifestação no último dia 20 na UnB - na Seção Vídeo

Ao longo do dia, foram se multiplicando os relatos de retiradas de cartazes que não faziam menções a qualquer candidato. Foi o caso da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), onde foram removidas uma faixa em homenagem à vereadora Marielle Franco, assassinada em março deste ano, e outra com os dizeres "Direito Uerj Antifascismo".

Também no estado do Rio houve o caso mais controverso. Na noite desta quinta, uma juíza eleitoral de Niterói, município da região metropolitana, determinou a prisão do diretor da Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense (UFF) caso uma faixa em que se lia "Direito UFF Antifascista", hasteada na entrada do campus, não fosse removida.

Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). a decisão do TRE local atendia a um pedido do deputado federal Jerônimo Goergen (PP) e do candidato eleito Marcel van Hattem (Novo). Para justificar a medida, o juiz cita o inciso um do artigo 73 da Lei das Eleições, onde está exposto que não é permitido "ceder ou usar, em benefício de candidato, partido político ou coligação, bens móveis ou imóveis pertencentes à administração direta ou indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, ressalvada a realização de convenção partidária".

Nos sindicatos e associações de professores em que foram realizadas diligências da Justiça Eleitoral, além do recolhimento de materiais, foram apreendidos também computadores.


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