Governo em construção: comando do Congresso Nacional

autor André Pereira Cesar

Postado em 13/11/2018 11:51:34 - 11:40:00


Simone Tebet é lembrada para co concorrer à presidência do Senado/Arquivo/Agência Senado

Com a elevada renovação entre deputados e senadores, muitos nomes se credenciam para a disputa

A definição dos novos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal será de grande importância para o futuro governo Bolsonaro. A agenda palaciana depende, em larga medida, do aval do Congresso Nacional.

Nas duas Casas o quadro é de indefinição. Com a elevada renovação entre deputados e senadores, muitos nomes se credenciam para a disputa na tentativa de ganhar espaço e projeção. Parlamentares hoje fora do radar podem emergir e se colocar no páreo.

Na Câmara, o nome natural seria o do atual presidente, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Parlamentar experiente e com bom trânsito, muito provavelmente ele se candidatará à recondução. No entanto, o grupo político de Bolsonaro vê com reservas a reeleição do deputado fluminense. Maia necessita se aproximar do governo e conquistar a confiança do Planalto.

Nas últimas semanas, ganhou força o nome de João Campos (PRB-GO). Bastante próximo de Bolsonaro, ele tem dois importantes ativos políticos - é policial e evangélico. A nova Câmara, de perfil conservador, poderá apoiar uma eventual candidatura do deputado goiano. A ideia está em construção.

Outros nomes não podem ser descartados, no entanto. O ex-ministro Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), atual líder do governo na Câmara, pode ser uma alternativa. Excelente negociador, ele está credenciado ao cargo.

O PT, maior bancada da Câmara, também deverá marcar posição e lançar candidato próprio. Agora na oposição, o partido precisa manter o protagonismo político.

O Blocão de centro, comandado por Arthur Lira (PP-AL), com seus cerca de 150 deputados, também será de grande relevância no processo sucessório na Casa. Tudo está em negociação.

Há vários outros pré-candidatos. Os deputados JHC (PSB-AL), Giacobo (PR-PR) e Fábio Ramalho (MDB-MG) já atuam em busca de apoio. Na verdade, eles tentam se cacifar para outros postos na Mesa Diretora ou nas comissões mais relevantes da Casa.

No Senado, a situação é quase a mesma. O MDB, que seguirá com a maior bancada, pode lançar a candidatura de Renan Calheiros. O parlamentar alagoano é dos poucos caciques do partido que sobreviveram ao pleito de outubro último. Ele já se movimenta para arregimentar apoio para a candidatura.

Calheiros não é unanimidade, porém. No próprio MDB ele enfrenta resistência. A senadora Simone Tebet (MDB-MS) conta com a simpatia de colegas de vários partidos, além do seu próprio. Contra ela há o fato de ser relativamente nova na Casa - problema menor, que pode facilmente ser contornado, ainda mais por ser filha do ex-senador Ramez Tebet, falecido em 2006, tido como um grande conciliador.

Existe ainda a possibilidade de lançamento de uma candidatura "independente". Nessa seara o favorito é o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). Expoente do tucanato no Senado, ele circula bem entre governistas e oposição. Resta construir politicamente seu nome. 

Como se vê, a sucessão no Congresso segue em aberto. E ganha mais importância porque os acordos que deverão ser fechados para a eleição dos presidentes das duas Casas estão umbilicalmente ligados à distribuição dos cargos na Mesa e à eleição das presidências das comissões temáticas da Câmara e do Senado.

Ao presidente eleito será necessário, então, acompanhar com lupa o processo de escolha dos novos comandantes. E, na medida do possível, influenciar nas escolhas finais.


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