Golden shower

autor Alan Marques

Postado em 11/03/2019 09:00:50 - 08:51:00


Notícias falsas chegam com o café da manhã junto com o pão francês/Alan Marques

Jornalismo fraudulento está na classe mais perigosa, pois entrega ao leitor mentiras e erros graves

Golden shower, jornalismo fraudulento e fake news são o pão francês no café da manhã do leitor brasileiro. 

A quantidade e a qualidade de informação que chega para o leitor é tão grande que o caminho do comunicador é um desafio contínuo e com pouco controle sobre o produto final. Para apresentar a receita da massa de pão que alimenta o apetite dos brasileiros por informação, é necessário entender três termos muito usados no dia a dia do Jornalismo. 

Fake news se apresenta como o termo mais simples para se explicar porque, se a informação é falsa, não é notíca[1].  Esse anglicismo tem como base o estelionato intelectual e se aproveita da hiperexcitação do leitor no ambiente continuo de informação, seja em redes sociais ou em aplicativos. Para combater a praga, o leitor sempre deve procurar outras fontes para se certificar sobre a veracidade e assim evitar compartilhar boatos e mentiras. 

O jornalismo fraudulento está na classe mais perigosa porque, ao se travestir de reportagem verdadeira, entrega ao leitor mentiras e erros graves ou gravíssimos na apuração jornalística. O caso mais recente é o do jornalista Claas Relotius, do seminário alemão Der Spiegel, que inventava histórias e as publicava como se fossem notícias. 

A publicação alemã, hoje, adverte seus leitores que as matérias de Relotius podem ser fictícias porque o repórter teria falsificado fatos, citações e reportagens. O crime fica ainda mais feio ao se saber que o jornalista alemão recolheu fundos para ajudar dois órfãos sírios, personagens de um artigo da Der Spiegel, e que ele ficou com o dinheiro da doação[2]

Exemplo de mau jornalismo no Brasil é o caso Escola Base, ocorrido em março de 1994, quando os donos da Escola de Educação Infantil Base, o motorista do transporte escolar e um casal de pais de alunos foram acusados por duas mães de abuso sexual de crianças. 

A conduta precipitada da polícia em revelar o caso para a imprensa, sem ter colhido provas, e a veiculação de notícia de abuso no Jornal Nacional enterrou socialmente os envolvidos e a escola foi a falência. Em junho do mesmo ano, os acusados foram inocentados e o inquérito policial arquivado, mas já era tarde, os danos eram irreparáveis e os acusados viram suas reputações destruídas. 

Por fim, o vídeo pornográfico (golden shower) publicado no Twitter pelo presidente Jair Bolsonaro é uma realidade na comunicação pública nunca antes experimentada. Com essa postagem em uma rede social, Bolsonaro desconsiderou toda a estrutura de comunicação do Palácio do Planalto. O presidente utiliza da prática desde os primeiros dias de governo ao ignorar a função do porta-voz da Presidência da República e o Diário Oficial como documento. O presidente recorre, sem pudor, às redes sociais para apresentar sua visão de Brasil, nomear e demitir ministros e comprar brigas virtuais e reais.

Em um primeiro momento, o pensamento comum é que Bolsonaro provoca anarquismo grosseiro na forma de comunicar as coisas públicas. Porém, ao analisarmos o espaço digital da fala do presidente no mesmo sentido de ciberespaço como Objeto[3], o presidente brasileiro usa de forma peculiar as redes sociais ao entendê-la como “objeto comum, dinâmico, construído, ou pelo menos alimentado, por todos os que a utilizam” (LÉVY, 1996). 

Por fim, se o leitor não tiver capacidade crítica para separar o que é relevante do que é porcaria, vai ficar se alimentando por fake news, sendo enganado por jornalistas bandidos e pensando que golden shower é uma chuva dourada.


[1] A explicação do termo Fake News foi uma apropriação de conversa sobre o tema com  Vivaldo de Sousa

[2] http://visao.sapo.pt/actualidade/mundo/2018-12-23-Der-Spiegel-apresenta-queixa-contra-jornalista-que-falsificou-noticias

[3] LÉVY, Pierre. O que é o virtual? São Paulo – SP: Editora 34, 1996


Bolsonaro diz que pretende acabar com radares móveis nas rodovias
Começaram as eleições para o Parlamento Europeu
veja +
Recursos do antigo Fundef não devem ser usados no pagamento de professores
CCJ aprova fim da isenção irrestrita de custas judiciais nos juizados especiais
Novos métodos para obtenção de provas do pacote anticrime dividem opiniões
veja +